Recife
À Cidade Maravilhosa
Fim.
Apagadas as luzes
Espera-se apenas
O raiar do novo dia.
A vida agora é outra,
Do corre-corre
E das lâmpadas acesas
No sol a pino do meio-dia,
Ficaram apenas
Os restos, o lixo,
Largados assim
No meio de tudo,
De todas as luzes que piscam,
Anunciando mesmo o findar.
Agora faz-se escuridão.
E só assim
Pode vir à tona essa outra parte
De tua metade, Recife!
Largados assim,
Em meio ao nada do tudo que te formava,
Por entre os restos e lixo que agora
Te compõe.
E passamos por entre praças,
Ruas e calçadas que,
À luz do dia, do sol
E das lâmpadas artificiais
(Que vem iluminar não sei que parte
Daquilo que já está claro),
São espaços públicos,
Sim, à luz do dia vem dizer-te público
De todos aqueles que te podem comprar!!!!!
E qual nossa surpresa ao descobrirmos que,
Por baixo das anáguas de tua saia, Recife,
Sim, bem no meio de tuas entranhas,
No escurinho dos pêlos que a custo
Tentas livrar-te,
Os donos de ti dormem,
Na mesma porta,
No mesmo endereço,
No mesmo espaço que te negas
Dá-los no acender das luzes.
Os donos de ti apagam,
Já cansados de terem que te possuir assim:
Desnuda de toda tua riqueza,
Prostituída nos muitos que te compram ao dia,
Destituída daquilo que, agora,
Só compõe os restos e lixo que se vêem
Largados ao chão,
E que se confundem com tua outra metade, Recife.
E assim, à sombra da escuridão
Que os ofereces todos os dias-luzes piscantes,
A noite finda,
Sem saber o dia em que o amanhã chegará...


0Desejos
Postar um comentário
<< Home