14 de outubro de 2005

Furto de Mim

Na Construção do meu Humano
O suco derrama
Sobre a mesa
E caminha sem rumo
Por entre os poros da madeira,
Fazendo tudo parecer magia
Quando não passa, apenas,
Do estrago daquilo
Que devera ser.

Agora já não importa
A intenção, ou acaso,
Que largou o suco
Por sobre ela,
A não ser nas exceções de si,
Nunca esteve ali - de fato,
Só sabia falar e representar
A casca.

A pena é que
A laranja era apenas
O furto;
Mas o suco,
Azedo e corrosivo,
Como daquilo que apodrece mesmo,
Era o para onde apontava
Aquele ensaio de Mim.