19 de outubro de 2006

[Enquanto...]

Num transe hipnótico
Dilacerou as veias
Onde sentia correr
A droga de sua vida.

Gritou, caiu, berrou
E fez mais,
Muito mais,
Do que respirar
O ar de sua ausência.

Que mundo dolorido esse
Em que tuas partes
Estão em minhas entranhas,
Não me permitindo,
Nem num improviso fleumático,
A permanência de meu ser
Em mim:
Corpo vazio e desnudo.

Chorou, bateu, cantou.
Aquela canção de canto de boca
Que tapa os ouvidos
À realidade.

Pegou um copo d'água,
As aspirinas que as havia dado
E num gole surpérfluo de si
Dissolveu seu eu
No caos de uma cena
Em que não atuava,
No teatro de uma tentativa
Dopada de múltiplos.

Num transe hipnótico
Dilacerou as veias
Onde sentia correr
O ar de sua vida:

Coitada, amou demais.