20 de dezembro de 2006

A Respeito dos Cravos

Ali no começo
Tudo era festa:
Empanados, salgados e croquetes.

As coroas chegavam
Para embelezar àquele,
Que nunca foi deus, nem rei,
Posto ao centro,
Por sobre um tapete vermelho;
Fôra cumprimentado
Com lágrimas nos olhos
E tido grande,
Como nunca dantes.

Era uma festa
De defuntos pálidos:
Olhos rasos,
Sorrisos de canto de boca.
As espécimes circulavam
Pelo salão,
À procura do passo,
Para não sair do compasso
E ser o próximo
A bailar:
A brasa acesa,
Queimando o filtro
E chegando ao fim...
Já não há com o que
Se acenda
E os que dançam no passo
Descompasso,
Se perguntam do fogo e da brasa,
Fumaça que se esvai no ar.

Finda a festa,
No canto,
Resta o lixo
Amontoado ao centro do caos.

Simultaneamente,
Limpam-se os restos
E enterra-se o defunto,
Os cravos já não choram
O que partiu.

Uma noite
E o cenário
Se recompõe:
Uma persona a menos...
Muda-se o script
E põe-se um substituto,
Tudo continua.

Retorna a rotina,
Rotineiramente
Retomando sempre
O ponto de retorno.

No fim, murchos,
Restam os cravos vivos.

Tudo é decomposição...

1Desejos

Anonymous Anônimo disse:

tudo sendo, tudo é... sendo.


;)

24 dezembro, 2006  

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