16 de maio de 2007

Nesse meu coração inútil...

guardo as tranqueiras de um mundo de fora, que fazem parte do real. ser que gira a roda e gigante sem terra do nunca pra habitar. tão pequeno quanto os quatro dias do carnaval, um que se foi de adeus, rezando tchau numa missa de vigésimo terceiro dia. eram quatro horas da manhã e uma besta inútil gritava, na Conde da Boa Vista, as verdades enxergadas com os seus mil olhos cegos do passado, o futuro desdito de uma humanidade de mil séculos adiante: o mundo que se extingue em trinta e três dias. tive medo de ser só mais um entre tantos desse único que me alucinou a realidade. com que olhos infernais avistei dos autos o céu de tua boca. era rubra, de olhos esmeraldas, como quase que um verde-água nas águas em que me banhei. eram castos, tão castos e santos, todos os pecados fraudulentos a que me entreguei. reneguei. e parei diante de tantos espelhos quanto possível imaginar fosse: o mundo cortado e talhado, corado nas fezes de um gato rabugento qualquer que, por acaso de uma não traição, atravessava a rua fortuitamente àquele dia. dia feliz em que vi nos teus olhos esmeraldos a cor dos meus, baços de tanto furor. na brandura do teu ser, fogo que consome apagando a gastura de gastrite que teus lábios incomuns bafejam na extinção de mim. corro e bato à porta sem fundo de um mundo de fora onde guardo as tranqueiras de mim.

1Desejos

Blogger Nathalia Ribeiro disse:

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23 maio, 2007  

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