5 de julho de 2006

Sobre Co[r]pos e Co[r]pos

Pra Na.Lua, pelo sentir.

Lembro. Uma alemã, num dia claro, bem brasileira. Cabelo raspado, cabeça na.lua e um mundo todo que doía em si [e nos outros - tinha o dom de fazer doer em outros eus]. Leu. E viu o co[r]po vazio. (dele?) (sim, tinha quase certeza.) (tinha certeza, mas não queria dizê-lo, aquilo era meio... vergonhoso. e não sabia dizer porquê.)

Riu-se. E desatou as lágrimas que estavam em nó. Abaixo de si as letrinhas ficaram todas molhadas e o universo que pensara caber na ponta dos dedos... É, perdeu-se na.lua. Fora por isso que houvera raspado a cabeça: imaginava o ninho dos cabelos e todo seu mundo perdido ali. Pensara que se o raspasse, o mundo de si pudera ser encontrado, ou, talvez, ficasse mais fácil de achá-lo. E desatou cada lágrima em nó. Ainda corriam-lhe algumas, tentando encher o co[r]po.

Ai.
Ai - sentiu.

É, no fim da festa tudo é tão vazio e descartável como os co[r]pos que por ali ficaram.