4 de agosto de 2006

Palmito a la Mexicana

- Queria um pastel de palmito.

Disse isso enquanto comia um macarrão apimentado, a la mexicana, tentando experimentar, ao menos no paladar, o ardor que não havia em sua vida. Bem que poderia ser mais picante, é verdade [a vida, como o macarrão]. Queria flutuar com os pés em chão e navegar o mundo de sua vida sem se saber: um inferno inteiro correndo em suas veias.

- Tem fanta?

Olhou, procurou, achou. Dois dedinhos.

- É mais do que o suficiente!, sorriu.

E coloriu, com um gole, o seu interior [como criança que pinta com o dedo melado de tinta uma foto em preto e branco].

- Pastel de palmito? [Eca!] Mas palmito tem gosto de quê?, perguntaram.
- Palmito? [...] Palmito tem gosto de palmito, ué!

Estava farta, tão pesada! Como pudera comer tanto macarrão? Será que iria engordar assim, de repente? Ou será que já estava gorda? E as celulites? E a osteoporose na velhice? Imaginou cada gole do líquido degustado tirando o cálcio de seus ossos. Achou graça de tantas preocupações banais - mas não para ela.

Fartou-se. Fartou-se tanto que quase enfartou! A fanta pusera gelo em seu fogo e o coração esfriou. Esfriou tanto que agora já não havia inferno, nem céu. E o barco afundou em terra e a fez flutuar em chão - inchou. Pensou nos palmitos. Ah... os palmitos!

1Desejos

Blogger Tainá disse:

menina =)
fiquei surpresa com
essas palavras conhecidas minhas aí em cima, viu?
=*

e essa história de vidas temperadas e leves
eu espero.

09 agosto, 2006  

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